Abdominoplastia pós-bariátrica: o que você precisa saber antes da cirurgia

A abdominoplastia pós-bariátrica é uma das cirurgias reparadoras mais indicadas para pacientes que passaram por uma grande perda de peso. Embora a expressão “abdominoplastia pós-bariátrica” seja amplamente utilizada, a cirurgia também pode ser uma opção para pacientes que emagreceram de forma significativa por outros métodos, como mudanças de hábitos, tratamento clínico ou uso de medicamentos para obesidade, sempre após avaliação médica.

Não por acaso, está entre as cirurgias plásticas mais realizadas no país. Segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (ISAPS), foram feitas 112.116 abdominoplastias no Brasil em 2020, o equivalente a 8,6% de todas as cirurgias plásticas registradas no país.

Em muitos casos, a abdominoplastia pode ser associada a outras cirurgias reparadoras, conforme a análise do Cirurgião Plástico e as necessidades de cada paciente. Ao longo deste artigo, você entenderá quando essa associação pode fazer sentido, como a cirurgia é realizada e por que ela também pode ser indicada para pacientes que emagreceram sem cirurgia bariátrica.

Quando a abdominoplastia pós-bariátrica é indicada?

A principal indicação da abdominoplastia pós-bariátrica é a presença de excesso de pele no abdômen após emagrecimento expressivo. Isso acontece porque, durante o período de obesidade, a pele sofre um estiramento importante e nem sempre recupera sua capacidade de retração, mesmo após a estabilização do peso.

Apesar do nome, a indicação da cirurgia não depende de o paciente ter realizado uma cirurgia bariátrica. O que orienta essa decisão é a presença de alterações decorrentes de uma perda significativa de peso, independentemente da forma como ela aconteceu.

Embora muitas pessoas associem a cirurgia à melhora da aparência do abdômen, ela também pode ter finalidade reparadora. O excesso de pele pode favorecer assaduras, infecções de repetição, dificuldade de higiene e desconfortos que interferem nas atividades do dia a dia.

Para a realização da cirurgia, é importante que o paciente já tenha concluído o processo de emagrecimento e mantenha o peso estabilizado por, pelo menos, cerca de seis meses. Esse período permite avaliar melhor as alterações provocadas pela perda de peso e favorece um planejamento cirúrgico mais adequado.

Além desses aspectos, são considerados fatores como o estado geral de saúde, as condições nutricionais e as expectativas em relação ao procedimento.

Como é a abdominoplastia pós-bariátrica?

A abdominoplastia pós-bariátrica é realizada em ambiente hospitalar. O tipo de anestesia é definido pela equipe médica de acordo com a avaliação e as necessidades de cada paciente.

Antes da cirurgia, é feito um planejamento detalhado, considerando a quantidade de pele excedente, o grau de flacidez, a presença de diástase abdominal (afastamento da musculatura do abdômen) e as características do corpo de cada paciente.

Existem diferentes técnicas de abdominoplastia, como a tradicional, a em âncora (Flor de Lis), a reversa, a higiênica e a miniabdominoplastia. A escolha da técnica depende das alterações apresentadas e dos objetivos definidos durante a avaliação.

Durante a cirurgia, são realizadas incisões na região abdominal para remover o excesso de pele e, quando houver indicação, tratar também áreas com excesso de gordura. Em seguida, pode ser feita a correção da diástase abdominal, o que contribui para melhorar o suporte da parede abdominal. Caso haja alguma hérnia, também pode ser corrigida nesse momento.

O objetivo é tratar as alterações decorrentes da grande perda de peso, proporcionando mais conforto e favorecendo a adaptação da região abdominal às mudanças decorrentes do emagrecimento.

Quais cirurgias podem ser associadas à abdominoplastia?

A abdominoplastia costuma tratar as alterações da região abdominal, mas a perda de peso pode afetar outras partes do corpo. Por isso, em alguns casos, ela pode ser associada a outras cirurgias reparadoras, desde que haja indicação médica e condições clínicas adequadas.

A definição dos procedimentos faz parte do planejamento cirúrgico e leva em consideração fatores como as regiões afetadas, o estado geral de saúde do paciente e o tempo previsto de cirurgia.

Entre as associações mais frequentes estão:

  • Mastopexia: indicada para tratar a flacidez das mamas após uma grande perda de peso. A cirurgia reposiciona os tecidos mamários e pode ser associada à colocação de próteses de silicone quando houver indicação, para restaurar o volume das mamas.

  • Braquioplastia: também conhecida como cirurgia para tratar a flacidez dos braços, remove o excesso de pele da região e pode reduzir desconfortos causados pelo atrito entre os tecidos durante as atividades do dia a dia.

  • Lifting de coxas (cruroplastia): corrige a flacidez e o excesso de pele na parte interna das coxas. Além de melhorar o aspecto da região, pode reduzir assaduras e desconfortos durante a caminhada.

  • Gluteoplastia: pode ser indicada para pacientes que apresentam perda de volume dos glúteos após uma grande perda de peso. A técnica utilizada varia conforme a avaliação médica e as características de cada paciente.

  • Lipoaspiração: em alguns casos, pode complementar o planejamento cirúrgico para tratar áreas com acúmulo de gordura localizada que permaneceram após o emagrecimento.

  • Flancoplastia: indicada para tratar a flacidez da região dos flancos em pacientes que também apresentaram perda de sustentação dessas regiões após o emagrecimento.

  • Torsoplastia: indicada para remover o excesso de pele e gordura da região que compreende o dorso do abdome, o “ verso “, perfazendo a “ abdominoplastia circunferencial “ ou “ abdominoplastia 360 graus “. 

A possibilidade de associar procedimentos depende de fatores como o estado geral de saúde, o tempo cirúrgico previsto e a recuperação esperada. Durante a avaliação, é possível definir quais cirurgias podem ser realizadas e qual é o momento mais adequado para cada uma delas.

O primeiro passo é uma avaliação especializada

Seja após cirurgia bariátrica, tratamento clínico, mudanças de hábitos ou outras formas de emagrecimento, a abdominoplastia pode fazer parte do tratamento quando o excesso de pele provoca desconfortos físicos ou interfere na rotina do paciente.

A avaliação médica é o momento para analisar as alterações presentes, esclarecer dúvidas e definir quais procedimentos podem ser indicados, sempre considerando as condições de saúde e as características de cada caso.

Se você deseja entender quais possibilidades podem fazer sentido para o seu caso, agende uma consulta. Durante a avaliação, conversaremos sobre o planejamento cirúrgico e os próximos passos do tratamento.

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